CONDUTA EFICAZ
 
Seguindo algumas máximas conhecidas em radiocomunicações e seguindo o espírito de cultura, recreio, lazer e amizade que deve sempre estar presente no relacionamento com todos, e em especial com aquelas pessoas que têm gostos comuns com os nossos, partilhando o mesmo passatempo, vamos dar algumas dicas como se deve “fazer rádio”, sempre debaixo de uma perspectiva pessoal e cimentada por uma experiência adquirida desde o início da legalização da Banda do Cidadão em Portugal em 1978.
Depois de escolher o seu nome de estação CB, imaginemos que se vai chamar “KILO” e de ter cumprido um determinado tempo de escuta na frequência, estudando os hábitos, costumes, formas, modos de falar e termos mais empregues pelos cebeístas, o aspirante, oo seja, o futuro utilizador da Banda do Cidadão vai poder começar a “falar na rádio”, como é usual dizer-se, aplicando alguns termos e códigos mais correntes.

Vamos imaginar que estamos a escutar um canal onde já existe um QSO (comunicação entre duas ou mais estações) entre várias pessoas e vamos tentar entrar na conversa.
Para isso, teremos de esperar que o colega que está a MODELAR (falar na rádio. comunicar com outra estação, estabelecer uma emissão) termine o seu CÂMBIO (período de tempo que o operador da estação necessita para transmitir a sua mensagem. Tempo de Modulação), e passe a palavra para o colega a designar, para podermos fazer sentir a nossa presença, pedindo permissão para entrar.
Entre o fim de câmbio do colega que estava a transmitir e o início do câmbio do colega que vai começar a transmitir, existe um tempo de espera (5 segundos) em que todos os intervenientes no QSO ficam em STAND BY (ficar em espera), dando assim oportunidade a alguém que está esperando para entrar.

Nunca esquecer que, se uma pessoa estiver a falar e nós falarmos ao mesmo tempo, essa pessoa não escuta nada do que dizemos. Nunca se deve MODELAR por cima de alguém que está fazendo o mesmo. É inútil e demonstra falta de consideração e respeito pelos colegas em frequência. Isso chama-se sobreposição de modulações ou SOBREMODELAR (modelar ao mesmo tempo que outra estação).
O rádio CB não funciona como o telefone que se pode falar ao mesmo tempo com uma ou várias pessoas.

Assim sendo, imaginemos agora que o colega deixou de transmitir, há um espaço de silêncio e vamos SUBIR À FREQUÊNCIA (iniciar o Câmbio, ou a emissão), carregando na PTT ( [Push to talk] patilha do microfone que ao ser pressionada dá inicio à emissão) do microfone dizendo:
 
BREAK (sinal de corte de emissão de um QSO, para pedir permissão de entrada no mesmo) de KILO”; u pode dizer também: “OPORTUNIDADE para KILO”.
 
Assim, o colega que TEM A VEZ DE CÂMBIO (o que vai modelar a seguir porque lhe passaram a palavra) já sabe que a estação “KILO” pediu permissão para entrar no QSO, ficando a aguardar permissão para SUBIR À FREQUÊNCIA. Como uma das regras fundamentais dos procedimentos de CB é, não fazer esperar os BREAK’s ou as OPORTUNIDADES porque pode ser um pedido de ajuda ou urgência, o colega que fica com o CÂMBIO sobe à frequência e REPORTA-SE (transmitir uma mensagem ou MODELAR.) da seguinte forma:
 
“Boa tarde à estação KILO o seu BREAK (ou OPORTUNIDADE) foi escutado e vai subir de imediato. Estão em frequência as estações com QRZ (nome de estação cb) “Cavalinho” com QRA (nome de rádio-operador) de “António” com QTH (local de residência), em “Vila de Cima”, a estação com QRZ “Pantera” com QRA de “José” com QTH em “Vila de Cima” e esta que transmite com QRZ “Radar” com QRA de “Manuel” e com QTH em “Vila do Meio”. Seja benvindo, suba à frequência com todo o QSO na escuta. ADIANTE”
 
Algumas notas a reter:
 
Só se BRECA (BRECAR=acção "portuguesada" de Break), ou se pede OPORTUNIDADE para entrar num QSO nos espaços entre CÂMBIOS.
Só se entra num QSO quando o colega que tem o CÂMBIO, nos der a respectiva permissão.
Num QSO é fundamental haver sempre um tempo de silêncio (5 segundos) entre CÂMBIOS para dar oportunidade a quem queira entrar no QSO.
O colega que manda SUBIR À FREQUÊNCIA quem BRECOU ou pediu OPORTUNIDADE para entrar no QSO, identifica-se e identifica os restantes intervenientes no QSO com o QRZ, QRA e QTH.
 
Dada a permissão de entrada no QSO, SUBIMOS mais uma vez à frequência da seguinte forma:
 
“Boa tarde a todos os colegas em frequência, OSCAR BRAVO (termo em giria cebeísta que significa obrigado) pela permissão dada. Em frequência está a estação de QRZ “KILO”, QRA “Júlio” e QTH em “Vila Grande”. 73/51 (termo em giria cebeísta que significa, respeitosos cumprimentos) para os presentes, extensivos ao CHAQUE (termo em giria cebeísta que significa, casa onde vivemos e onde está a nossa estação cb) familiar e 88 (termo em giria cebeísta que significa, beijos) aos CRISTALINOS (termo em giria cebeísta que significa, filhos pequenos) ou a quem de direito. Passo o MIKE (microfone) a quem me mandou SUBIR e fico na vossa escuta. CÂMBIO.”
 
Algumas notas a reter:
 
Quando se termina um CÂMBIO e antes de se passar a palavra para outro colega, tem sempre que se proceder da seguinte forma:
Informar para que colega vai a vez de transmitir. Geralmente a vez vai sempre para o colega que mandou SUBIR À FREQUÊNCIA.
Assinalar que o CÂMBIO terminou aplicando o termo: ADIANTE, ou ESCUTO, ou PASSO À ESCUTA, ou HOVER, ou CÂMBIO, ou outras, para que todos saibam que a partir desse momento deixámos de emitir, tirando o dedo da PTT do microfone.
E assim por diante...

Este é um pequeno exemplo de como as coisas deveriam acontecer, mas como tudo na vida, só com a prática é que se conseguem resultados.
Hoje em dia, na maior parte dos casos, infelizmente, não é assim que funcionam as coisas. Por vezes o principio de uma discussão, ou de um desentendimento começa por uma coisa muito simples: os colegas em frequência não dão espaço entre câmbios, não respeitam o tempo de silêncio que deviam fazer, para se poder ouvir quem quer entrar no QSO. Como esse espaço não é respeitado o que é vai acontecer?
Quem está para entrar num QSO impacienta-se pelo alargado tempo de espera, com a agravante de ter pedido três ou quatro vezes permissão para entrar, e nunca ter sido atendido.
Aí começam as represálias, que quase sempre descambam para situações conflituosas de grande confusões e discussões a roçar o ordinário. Passado pouco tempo já ninguém se entende e cai-se na anarquia e no tudo ao molho e fé em Deus.
O ideal seria encontrar um equilíbrio, pois achamos que nada é perfeito e não devemos entrar pela porta dos extremismos. Nem oito, nem oitenta. Mas isso só depende da vontade de cada um em tentar resolver estes “desaguisados” de uma forma calma e ponderada.

Quanto a nós, a conduta eficaz para que se esteja em frequência e não sofrer algum dissabor deste, ou de outro género, é manter a calma, falar normalmente e fazer como a mulher, dita, séria: não ter ouvidos para determinadas situações.
Seguindo as regras estabelecidas que acima demos um exemplo, ou com outras quaisquer, empregando os códigos e terminologias habituais, ou outras, a grande verdade é só uma, e é comum a todos: Respeito, ponderação e saber retirar-se com lisura.
O que se puder evitar, evita-se...
 
Desejamos muitas felicidades a quem vai entrar, pela primeira vez, na Banda do Cidadão, esperando que as nossas dicas tivessem contribuído para o esclarecimento de algumas dúvidas. Não esquecer que todas as normas de conduta atrás descritas, são pessoais e por nós seguidas e nunca serviram, ou servirão de comparação ou exemplo. Há quem não goste de respeito, disciplina e amizade.

 

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