CONTACTOS À LONGA DISTÂNCIA ( DX )

Não esquecer que 99,9 % dos contactos feitos à longa distância (DX) são em frequências PIRATAS. Ou seja, fora da faixa de frequência atribuída à Banda do Cidadão na Europa e em particular em Portugal, que se situa entre os 26.965 e os 27.405 MHz.
Portanto, todos os Clubes Internacionais de DX, são organizações que fomentam e conduzem os seus membros a operarem uma faixa de frequência ilegal. Em nossa opinião, nem são cebeístas, nem tão pouco radioamadores. São, pura e simplesmente RÁDIO PIRATAS.
Como é óbvio, nós não apoiamos esta forma de “fazer rádio”. Para sermos RÁDIO PIRATAS, seríamos mais “exigentes” e escolheríamos outra faixa de frequência ilegal para fazer DX. Talvez perto dos 20 metros. Um RÁDIO PIRATA que se preze tem um transceptor com capacidade técnica para poder correr toda a banda curta e escolher a melhor faixa de frequência ilegal para fazer DX. O problema era encontrar um correspondente...
Apesar de não apoiarmos esta forma de estar na rádio, não a condenamos. Simplesmente não a reconhecemos e, logicamente, ignoramo-la.
É só.

Não é preocupação nossa, abordar este tema com termos muito técnicos e definições complexas. Pretendemos sim, explicar minimamente o comportamento da onda reflectida e/ou refractada e das suas consequências imediatas. É esse fenómeno que nos possibilita os contactos rádio a longa distância. 
A Banda do Cidadão (CB) é um segmento de frequência, cujo comprimento de onda é de 11 metros.
Como tal, ainda está dentro da "onda curta", cuja característica de reflexo e refracção das ondas electromagnéticas nas camadas altas, rugosas e flutuantes da ionosfera, possibilitam o contacto rádio a longas distâncias (milhares de quilómetros), por determinado tempo e em épocas próprias (propagação). 
Quer isto dizer que, não são todos os dias, nem a qualquer hora do dia ou da noite, que há a possibilidade do contacto a longa distância, vulgo DX, na linguagem da rádio.

É necessário esperar que haja propagação. Geralmente é no fim da Primavera e durante todo o Verão, que as camadas altas da ionosfera se encontram mais estáveis, proporcionando assim mais e melhores contactos por todo o mundo.
Diz-se então que ..."há boa propagação"...ou ..."a propagação está aberta"...

Um dos sintomas que a propagação está aberta, possibilitando assim bons DX's, é a recepção de pequenos batimentos sonoros e curtas melodias. São os sinais emitidos pelas bóias sinalizadoras das redes que os pescadores de alto mar deixam à deriva, para capturas de peixe.
Essas redes encontram-se a milhares de quilómetros de distância, tanto no oceano Atlântico norte como no sul. Do oceano Indico e até do Pacifico temos ouvido esses sinais sonoros.

Outro dos sintomas é o grande volume de ruído na frequência (há quem diga que é QRM). Pessoalmente, pensamos que o grande sintoma da propagação estar aberta, é quando se começam a ouvir QSO's em vários idiomas conhecidos e alguns desconhecidos.
 
Então, quando se tem tempo, disposição e algum dinheiro para selos de correio, preparamo-nos para fazer DX. Ou seja, contactos à longa distância.

O emissor-receptor ideal para este tipo de contacto, é aquele que tem os modos de LSB e USB (banda lateral). Além da potência aparente irradiada ser de 12 W, têm outras virtualidades e potencialidades que o AM e o FM não têm.
Um microfone de base com pré-amplificador de áudio, também é muito importante, pois em banda lateral é o áudio que é a portadora. Portanto, um áudio forte, claro e nítido é fundamental. 
Partindo do principio que a antena exterior está em boas condições de funcionamento e as "estacionárias" estão no mínimo, sentemo-nos comodamente em frente do equipamento, coloquemos os auscultadores na cabeça e o imprescindível caderno de apontamentos, esferográfica, relógio e calendário bem á nossa frente.

Vamos então iniciar o "ritual" mais importante e fundamental de quem quer "fazer rádio": ESCUTAR

(Há muito boa gente que não liga nenhuma, nem quer saber de fazer escuta. Pensam que basta somente ligar o rádio e começar a falar. Enganam-se redondamente. Para saber falar, é fundamental escutar durante muitas horas e muitos dias. É a escutar, que se aprende como se deve e não deve estar na rádio. É a escutar, que se vão conhecendo os hábitos, e não só, das "vozes" que escutamos.)

Depois de chegarmos à conclusão que estamos em condições de emitir, começamos com a chamada geral a longa distância. Preferencialmente o idioma utilizado no DX é o Inglês, como todos nós sabemos, é a língua oficial das radiocomunicações. O francês também é muito utilizado.
Inicia-se a chamada geral à longa distância da seguinte forma:

CQ...CQ DX (cêquiu cêquiu di equess)

CQ...CQ ELEVEN METERS...THIS IS PORTUGAL CALLING...THIS IS THIRTY ONE LIMA CHALIE BRAVO ZERO ON (31LCB 1) CALLING AND STANDING BY

Está feita a chamada geral que transmitiu três mensagens:

  1. CQ...CQ DX (cêquiu cêquiu di equess) - Alertou-se quem, eventualmente, possa estar na escuta que estamos a fazer uma chamada geral a longa distância, porque ao prenunciarmos estas duas letras em inglês CQ (cêquiu), significam em termos de radiocomunicações, CHAMADA GERAL e as letras DX (di equess) significam em termos de radiocomunicações, longa distância. Portanto, juntando CQ com DX estamos a fazer uma chamada geral a longa distância.
  2. CQ...CQ ELEVEN METERS...THIS IS PORTUGAL CALLING... - Diz-se que a chamada geral é feita por uma estação rádio CB situada em PORTUGAL.
  3. THIS IS THIRTY ONE LIMA CHALIE BRAVO ZERO ON (31LCB01) CALLING AND STANDING BY - Identifica-se a região de onde estamos a emitir ( 31 - Portugal continental) e o indicativo de chamada da estação( LCB01 ).

Depois da chama feita, ficamos na escuta com toda a atenção, regulando o "clarifier" para ajustarmos a frequência de recepção de forma a escutarmos em perfeitas condições a voz de quem, eventualmente, responder à nossa chamada.

Obviamente que esta forma de iniciação ao DX pode ser discutível, pois não há nada rígido nesta matéria, mas foi a forma básica e primária de nos iniciou na prática dos contactos à longa distância em 1977. E por cá, estão uns milhares e contactos feitos com a maior parte dos países do mundo onde existe CB, e umas dezenas largas de confirmações por escrito dos contactos feitos.

Depois do contacto feito e terminado é fundamental que se o confirme por escrito, enviando-se pelo correio a respectiva prova escrita que tal aconteceu. A essa prova escrita, chama-se CARTOLINA QSL, ou mais simplesmente QSL. 

A QSL é o cartão de visita de uma estação de rádio ou de um grupo ou associação cebeísta. Geralmente tem as dimensões de um postal normal de correio (15 X 10 cm).
Numa face tem um tema alusivo à estação, quando é personalizada. Na outra face tem o espaço reservado para se escrever a confirmação do contacto.

Em termos de localização de uma região no globo terrestre, o mesmo está dividido em zonas numeradas, a que se chama prefixos de identificação. É muito usual em DX as estações CB reportarem os indicativos de estação com o número de região de onde transmitem.
Como já foi dito atrás, damos um exemplo do indicativo de uma estação CB situada em Portugal, cujo prefixo internacional de zona o nº 31: Se o indicativo fôr LCB001 (Lima Charlie Bravo zero zero um), como se encontra em Portugal, será 31 LCB 001.

Consulte a Lista dos prefixos internacionais
 

Face 1 da QSL do
 Grupo "CB SATURNO"

Face 2 da mesma onde se
inscreve a confirmação do contacto

Ao longo do tempo, foram-se formando Grupos de DX, que se dedicam somente aos contactos à longa distância.
Têm por hábito solicitar dinheiro para que, quem os contacta, possam vir a ser futuros associados e adquirir um indicativo internacional de chamada. 
Quem se quiser manter independente, pode criar o seu próprio indicativo internacional de chamada e pensamos que é a decisão mais acertada. 
Para não ficarem mal vistos, nem para colocarem o vosso país na lista negra dos não cumpridores, respondam sempre à correspondência enviada.
Nunca prometam que vão enviar uma QSL, se não têm intenções ou possibilidades de o fazer.

Então bons DX's e muitas felicidades.


Grupos Internacionais de DX

 

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