Militar de méritos reconhecidos, dotado de uma inteligência superior e de uma coragem e lealdade invulgares, dele se diz "ter sido o melhor de entre os melhores dos corajosos e generosos Militares de Abril". Nasceu em Castelo de Vide.

Fez os estudos secundários no Colégio Nun'Álvares, em Tomar, e no Liceu Nacional de Leiria. Entrou para a Academia em 1964 e em 1966 ingressou na Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Combateu na Guiné e em Moçambique, já com apatente de capitão. Foi um dos elementos activos do MFA. No dia 25 de Abril de 1974, comandou a coluna militar que saiu da Escola Prática de Cavalaria de Santarém e marchou sobre Lisboa, ocupando o Terreiro do Paço. Horas mais tarde comandou o cerco ao Quartel do Carmo que terminou com a rendição de Marcelo Caetano. Foi membro activo da Assembleia do MFA, durante os governos provisórios, mas não aceitou qualquer cargo político no pós 25 de Abril. Faleceu em Santarém, a 3 de Abril de 1992, vítima de cancro.

Em entrevista dada ao centro de documentação da Universidade de Coimbra a uma pergunta sobre o facto de não ter desempenhado após o 25 de Abril, cargos de relevo ele diz: "para isso eu teria de fazer outro 25 de Abril pois os nossos politicos tem mais preocupação em ser bem reformados a ser bem formados". Era precisamente essa a maneira de estar na vida: sincero, leal, amigo e acima de tudo a bem com a sua consciência.

 
Salgueiro Maia
(1944 - 1992 )
   
 
Sem o folclore politiqueiro característico dos oportunistas travestidos de democratas de polichinelo carregados de teorias falaciosas para enganar os incautos, nós por cá assinalamos o dia em que um punhado de militares, impregnados de boas intenções e de cabeça cheia de ilusões, iniciaram um processo revolucionário que, passados 34 anos, deu no país que hoje somos.
A nossa homenagem não é ao dito processo revolucionário nem às suas nefastas consequências que se fazem sentir diariamente na nossa pele. A nossa homenagem é à memória do herói nacional Capitão Salgueiro Maia. Democrata sério e convicto, este verdadeiro revolucionário foi atirado para a prateleira do esquecimento em detrimento do bando de vendilhões da pátria, que se instalou na sociedade portuguesa, conspurcando tudo e todos na tentativa de transformar Portugal em mais um satélite do império social-facísta das “amplas liberdades” praticadas nos campos de concentração da Sibéria, mandados construir pelo criminoso e sanguinário José Estaline.
Salgueiro Maia foi posto de parte, pela “nomenklatura” revolucionária e controlada desde Moscovo, por querer fazer outro 25 de Abril dentro do próprio 25 de Abril, varrendo a canalha que entretanto tomou de assalto o aparelho produtivo da nação, iniciando o seu desmantelamento cujos dividendos estavam a entrar nos bolsos dos pequenos “czar’s” que iam nascendo como cogumelos.
O tempo e o destino foram perversos e misericordiosos. Um cancro levou-o abrupta e prematuramente do nosso convívio. Mas poupou-o do sofrimento que iria sentir se fosse contemporâneo do estado actual da terra onde nasceu e que defendeu de arma em punho na frente de combate.
Salgueiro Maia estará sempre na nossa memória. Os outros não!!!